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Centenas de pessoas caminharam rumo ao Pico Belo Horizonte em manifestação

Indignação, emoção e energia marcaram a luta de centenas de pessoas ao caminharem por quase 8 km de ida e volta ao Pico Belo Horizonte.

Assessoria

Centenas de pessoas caminharam rumo ao Pico Belo Horizonte em manifestação contra a mineração que rouba a natureza dos mineiros

 

Indignação, emoção e energia marcaram a luta de centenas de pessoas ao caminharem por quase 8 km de ida e volta ao Pico Belo Horizonte. O encontro marcado para o domingo de manhã, reuniu cerca de trezentos cidadãos mineiros conscientes do mal que a mineração causa à Serra do Curral e preocupados com o futuro da serra, cujos recursos naturais intactos são fundamentais para a qualidade de vida da população de cerca de 6 milhões de habitantes da Grande Belo Horizonte.

 

A marcha saiu do centro cultural Vila Marçola as 8h40 em direção ao Pico e retornou quatro horas depois. Durante o trajeto, o grupo fez uma parada em frente à cava gigantesca e, em coro clamaram pela saúde da serra. O nome do movimento “mexeu com a Serra do Curral mexeu comigo” foi recitado em hino, e soou como um mantra entre os presentes. A emoção era visível ao olhos de todos. Para Leandro de Aguiar e Souza, professor e pesquisador do Instituto Federal de Minas Gerais, “o que viu durante a caminhada foi um sentimento fortíssimo de revolta, diretamente relacionado à fragmentação do nosso sistema de planejamento e gestão do território e do meio ambiente. Situações como essa acabaram por permitir que um plano de recuperação de áreas degradadas se tornasse uma lavra de minério a céu aberto, em que o empreendedor ao descumprir o que estava acordado previamente, acabou sendo premiado com um processo de licenciamento ambiental corretivo ao invés de ser sancionado por todos os erros cometidos. É importante frisar que essa revolta precisa motivar uma abordagem sistêmica em que a exploração dos recursos minerários no Brasil, se dê de forma articulada a uma política de estado construída com a participação efetiva de toda a sociedade”.  

 

Ato Cultural

A manifestação de domingo, organizada pelo Projeto Manuelzão em conjunto com outras entidades ambientalistas, continuou na parte da tarde com um Ato Cultural, na Praça do Papa. No palco montado no local, líderes ambientalistas e artistas mineiros se posicionaram contra as ações minerárias ilegais que já destruíram grande parte do principal símbolo da capital mineira. Em discurso emocionado, o coordenador do Projeto Manuelzão e presidente do CBH Velhas, Marcus Vinícius Polignano, lembrou a questão das nascentes que caem do vale e supri rios importantes para o abastecimento da grande BH. “Estamos falando de um patrimônio da sociedade, um patrimônio da biodiversidade; aqui produz-se água, produz–se vida! Não tem valor maior do  que a vida. É Preciso que todos entendam: dinheiro não compra vida. É necessário o mínimo de honestidade e de compromisso. Devido à omissão por parte do estado, que deveria proteger o meio ambiente, temos que mostrar a cara aqui para defender o direito de todos. Mas a gente continua a luta! O ato de hoje representa apenas uma batalha da guerra contra todos aqueles que pensam uma economia não sustentável ambientalmente.” 

 

Entre uma canja e outra, músicos como Silvio Rosa, Celso Adolfo, Max Lisboa e Pedro Morais, bradaram também por amor à Serra do Curral. As pessoas presentes puderam ouvir as falas baseadas em fortes argumentos contra a  explotação desmedida e também se manifestaram a favor da paralização imediata da lavra e beneficiamento de minério de ferro na Serra do Curral. O medico e morador do Taquaril, Arthur Nicolato, convidou o público a uma reflexão. “A serra é a água que a gente bebe, o ar que a gente respira. Nós não precisamos de mina, de empreendimentos, de expansão pra cima de área verde. A gente precisa de qualidade de vida, precisa que a serra, em toda a sua extensão ainda existente, seja devolvida à população para que possamos desfrutar de saúde, de condições mínimas. O dinheiro que a exploração de minério pode trazer a alguns indivíduos não tem nenhum nível de comparação com os prejuízos que a destruição da serra  traz.” Nicolato denunciou a mineradora Empabra, em 2014, por minerar ao invés de recuperar a área da Granja Corumi, conforme deliberado pelo COMAM (Conselho Municipal do Meio Ambiente) em 2008. Atualmente, a empresa rouba da natureza cerca de 500 caminhões de minério, diariamente.

 

A noite chegou e trouxe com ela o vento frio, típico do final de outono. As pessoas, aquecidas pelo sentimento de indignação e ao mesmo tempo pelo amor à Serra do Curral, se despediram do domingo com  a alma lavada. E como disse a ambientalista Maria Tereza Corujo, “este movimento tem que continuar. Vamos mostrar a cara de quem está insistindo em destruir o nosso patrimônio”.

 

 

 

 

 

 

 


Por: Assessoria de comunicação

Publicado em: 12/06/2018