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Expedição desce o Paraúna e adverte para a situação do Médio e Baixo rio

Entre os dias 25 e 27 de agosto, a equipe iniciou a jornada, passando por Gouveia, navegando até a comunidade quilombola Capão, na região de Presidente Juscelino, e finalizando na Fazendo do Brejo.

Assessoria

120 km de águas; grande diversidade de fauna e flora; alto índice de preservação: essas são características do Rio Paraúna, um dos principais afluentes do Rio das Velhas. Localizado na região central de Minas Gerais, o Paraúna é um dos poucos rios que beiram cidades e que possui qualidade de água Classe 1. Segundo a resolução CONAMA 357, essa classificação é dada para águas que “podem ser destinadas ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado”, ou seja, a água precisa apenas ser filtrada, purificada e, se necessário, com pH corrigido.

Essa harmonia ambiental é colocada em cheque quando nos deparamos com graves situações no Médio e no Baixo Paraúna. Na primeira, a urbanização é intensa e, apesar da presença de redes de esgoto na maioria dos municípios que compõem a área, apenas a cidade Presidente Kubistcheck os trata de forma adequada. No restante, os rejeitos são jogados nos cursos d’água. O engenheiro ambiental e canoísta, Leandro Durães, enumera ainda outros fatores que colocam em risco a natureza local. “É também nessa área onde se concentram as grandes plantações, a pecuária extensiva, as rodovias e as “florestas de eucalipto”. E não é só. As queimadas, os empreendimentos minerários e as grandes voçorocas estão concentradas nessa região.” 

O Baixo Paraúna, por sua vez, apesar de estar bem preservado, abriga uma grande Usina Hidrelétrica (UHE) da CEMIG. “A presença da usina é um fator preocupante do ponto de vista ambiental, principalmente quando tratamos da retenção de sedimentos e da regulação da vazão do Rio.”, explica Leandro.

A partir dessa crise ambiental, a ONG Caminhos da Serra com apoio do Projeto Manuelzão concebeu a 3ª edição da Expedição Paraúna. Entre os meses de Agosto e Novembro equipes de canoístas, ambientalistas e parceiros farão uma jornada pela calha e pelas margens do Rio Paraúna, visando monitorar a qualidade das águas do rio e denunciar ações de degradação ambiental. “A Expedição começou com os questionamentos: “que rio temos?”; “qual rio queremos?”; e “que rio podemos ter?”, conta o fundador da ONG Caminhos da Serra e coordenador da expedição, Alex Mendes.

Entre os dias 25 e 27 de agosto, a equipe iniciou a jornada, passando pelo município de Gouveia, onde se localiza a sede da ONG, navegando até a comunidade quilombola Capão, na região de Presidente Juscelino, e finalizando na Fazendo do Brejo, próximo ao distrito de Senhora da Glória. Durante os três dias iniciais, discussões, observações da calha e planejamentos futuros fizeram parte do dia-a-dia do grupo.

Realizado como parte preparatória para a Expedição Paraúna, o 2º Fórum de Discussões “Incêndios em Vegetação Nativa na Serra do Espinhaço” recebeu, na sexta-feira (25), membros de diversas brigadas de incêndio de Minas Gerais. Anderson de Freitas, integrante da Brigada 1, ativa em Belo Horizonte e região metropolitana, ressaltou a importância de conhecer as causas e épocas mais comuns de incêndios florestais para evita-los. “A maioria das queimadas são provocadas de forma criminosa, sobretudo no período da seca. Entre junho e novembro vemos graves incêndios, que podem durar até 15 dias”. E ainda reitera o papel da população na prevenção dessas intempéries ambientais. “Com a natureza não se pode ser negligente. Por isso, não se deve usar fogo como fonte de eliminação de lixo, é preciso incentivar a realização de mais fóruns de discussões para esclarecer sobre o que pode ser feito para evitar incêndios e identificar os pontos críticos nas regiões, além de promover mais educação ambiental.”.

Descendo o Rio Paraúna

Durante o dia 26 de agosto, entre o Rio Galheiros e a comunidade quilombola Capão, foi possível observar oito canoístas navegando as águas do Paraúna. Cerca de 22 km foram percorridos em um intervalo de 5 horas, nos quais a equipe se deparava com águas cristalinas, grandes peixes e diversos animais silvestres.

Assim se deu o início da navegação da Expedição Paraúna, que pretende percorrer toda a extensão do manancial, em torno de 120 quilômetros, para fazer um diagnóstico de toda a bacia. Esta é a terceira edição da jornada por esse rio, que já recebeu canoístas e mobilizadores sociais nos anos de 2007 e 2012. Para o piscicultor e integrante do Projeto Manuelzão, Erick Sangiorgi, foi um grande desafio tirar do papel a Expedição de 2017. “Nas últimas edições, nós tivemos apoio de universidades federais, prefeituras e empresas, mas hoje, estamos efetuando a Expedição apenas à base de ONGs”. Para ele, a crise econômica do país é grande responsável pela redução desta assistência institucional.

 Próximas etapas

A segunda etapa da Expedição será diferente. Enquanto na primeira a equipe navegou nas águas do rio, desta vez, o trajeto será realizado por terra. Em um lugar conhecido popularmente como “canion Paraúna”, localizado acima da UHE, os expedicionários subirão o rio pelas margens. Entre os dias 6 e 10 de setembro, trilhas tortuosas e de grande exigência técnica marcarão o ambiente de pesquisas e diagnósticos do grupo.

Posteriormente, após o início do período chuvoso e o aumento da quantidade de água do rio, a navegação será retomada. A redução da vazão do Paraúna é um dos fatores que mais preocupam ambientalistas. Segundo dados da Agência Nacional das Águas, dos anos 1970 até hoje houve uma redução de cerca de 50% da vazão média anual. Além disso, Leandro também se atenta para outras alterações no clima. “Verificamos junto aos dados do Instituto Nacional de Meteorologia que a temperatura na região aumentou, tem chovido menos e a água dos reservatórios evaporam muito mais quando comparados a anos anteriores.” 

O plano para o final da Expedição é refazer o trecho percorrido neste final de semana de agosto para apresentar os resultados dos levantamentos realizados durante o percurso.

 

 

 


Por: Assessoria de comunicação

Publicado em: 01/09/2017