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Oito lugares, uma semana: vem aí mais uma Expedição Manuelzão

Durante oito dias, caiaqueiros, mobilizadores, parceiros e sociedade civil irão descer o rio na luta por mudanças na atual gestão das águas mineiras.

Assessoria

O que as cidades de Ouro Preto, Acuruí, Itabirito, Rio Acima, Honório Bicalho, Raposos, Sabará e Santa Luzia têm em comum? A resposta é simples e significativa: a grande proximidade com rios, sobretudo o das Velhas. Por isso, a Expedição “Rio das Velhas, te quero vivo” se aventurará por essas cidades, propondo reflexões acerca da atual realidade dos recursos hídricos e buscando chamar a atenção das autoridades para essas situações.

Após oito anos da última edição, o Projeto Manuelzão, juntamente ao Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio das Velhas, realizará mais uma Expedição pelo rio. Durante oito dias, caiaqueiros, mobilizadores, parceiros e sociedade civil irão descer o rio na luta por mudanças na atual gestão das águas mineiras. Membros da equipe navegarão pelo manancial e serão símbolos da resistência contra a exploração desmedida desse precioso recurso. Simultaneamente, a descida por terra trabalhará a mobilização da população local e problematizará a realidade hídrica.


 
Por onde a Expedição passará

As águas fazem parte da caracterização geográfica de Minas Gerais, possuindo, em seu território, nascentes dos mais importantes rios do país, como o Rio São Francisco. A natureza de ocupação do estado se deu, acima de tudo, nas margens dos mananciais, sendo parte importante para a sobrevivência e o desenvolvimento das comunidades aqui instaladas. Apesar dessa relação de simbiose, ou seja, de coexistência, os agrupamentos não mantiveram um vínculo harmônico com esse refúgio hídrico, fazendo uso desregrado e exploratório das águas.

O Rio das Velhas, um dos principais afluentes do Rio São Francisco, está inserido inteiramente nas terras mineiras e, por possuir um grande potencial hídrico, atraiu o olhar dos colonizadores e até hoje é foco de intensos investimentos – com ações voltadas, primordialmente, para benefício humano.  Dividido em alto, médio e baixo Velhas, cada região possui características particulares, variando entre sociais, econômicas e ambientais. Sua nascente se localiza próxima à cidade de Ouro Preto, na chamada Cachoeira das Andorinhas. O local é repleto de belezas naturais, mas, desde a ocupação desenfreada dos arredores, é alvo de lançamento de esgoto in natura, oriundo do Morro São Sebastião.  A falta de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) na cidade, unida ao manejo inadequado do solo na área rural, gera assoreamento e degradação no rio.

Seguindo o fluxo do Velhas, encontramos Itabirito e o distrito Acuruí, que possuem, juntos, cerca de 45 mil habitantes (IBGE). Problemas como turbidez e assoreamento fazem parte da atual realidade das águas locais, sobretudo devido ao impacto causado pela mineração, agropecuária e loteamento irregulares. “Segundo o Plano Diretor do Rio das Velhas, o balanço hídrico está comprometido e, muitas vezes, a demanda fica maior que a disponibilidade”, relata o geógrafo do Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio das Velhas, Jean Marcel.  Apesar dos desafios, porém, há que se destacar a atuação da ETE Itabirito, que pode ser tida como exemplo de coleta e tratamento de esgoto na região.

Mais abaixo, na cidade de Rio Acima, pode-se projetar os possíveis impactos da intensa exploração minerária em Minas Gerais: a barragem Mundo Mineração, atualmente com as atividades interrompidas, possui uma vasta contenção de águas contaminadas por metais pesados e, localizada a poucos quilômetros da captação de Bela Fama, em Honório Bicalho, coloca em risco a segurança hídrica de Belo Horizonte e região metropolitana.

Raposos e Sabará possuem realidades semelhantes, sofrendo com os enormes impactos gerados pela mineração de ouro na região e pela falta de coleta e tratamento de esgoto. A última ainda é prejudicada pelo deságue das águas poluídas do Ribeirão Arrudas e pela presença do Centro de Tratamento de Resíduos Macaúbas, o mega aterro sanitário que recebe lixo de 12 municípios da região metropolitana de BH – só a capital mineira envia cerca de 2,5 mil toneladas por dia.  

Santa Luzia, última cidade onde a Expedição passará, está localizada a 17 km de Belo Horizonte e possui, em média, 200 mil habitantes. De tamanho significativo, o município já está extremamente urbanizado e com presença industrial próximo às águas do Rio das Velhas. Apesar de contar com mais de uma ETE, suas águas recebem a poluição do Ribeirão Arrudas e do Rio Sabará, apresentando alto índice de poluição. Há cerca de 10 anos, o Projeto Manuelzão atuou na região e propôs a revitalização de algumas áreas próximas ao Velhas, plantando inúmeras mudas de árvores nativas que hoje formam uma nova camada de mata ciliar.

Programação

A Expedição “Velhas, te quero vivo”, realização conjunta do Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio das Velhas e do Projeto Manuelzão, será realizada entre os dias 28 de maio e 04 de junho deste ano.

Confira quando a Expedição estará na sua cidade:

28-05: Ouro Preto (abertura)

29-05: Acuruí

30-05: Itabirito

31-05: Rio Acima

01-06: Raposos/Honório Bicalho

02-06: Sabará

03-06: Santa Luzia

04-06: Belo Horizonte (encerramento)

 

 


Por: Assessoria de comunicação

Publicado em: 18/05/2017