Banner Movimento Internacional pelos RiosBanner GeoprocessamentoBanner Biomonitoramento


Quilombolas comemoram melhorias na nascente do Mangueiras

Foram meses de trabalho na região, onde mudas dos mais variados tipos foram plantadas, lixos e entulhos retirados e a área da nascente demarcada.

Assessoria

A Comunidade Quilombola de Mangueiras, localizada no limite de Belo Horizonte e Santa Luzia, tem seu território dentro de uma área de preservação ambiental. Cercada pela Mata do Isidoro, possui nascentes, água corrente, fauna e flora no quintal das casas de seus moradores. Apesar de estar imersa em um universo verde, a proximidade com a capital mineira gera danos ambientais à comunidade, como poluição e degradação das águas.

É por esse motivo que o projeto “Valorização de Nascentes Urbanas” selecionou, dentre mais de 150 opções, a Nascente do Quilombo Mangueiras para passar por melhorias e ser revitalizada. Foram meses de trabalho na região, onde mudas dos mais variados tipos foram plantadas, lixos e entulhos retirados e a área da nascente demarcada.

No sábado (8), ocorreu, na comunidade, o lançamento das ações do projeto, contando com rodas de capoeira, conversas e confraternizações.

Valorização de Nascentes Urbanas

O projeto “Valorização de Nascentes Urbanas” é uma realização do Projeto Manuelzão em parceria com o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas e com o Subcomitê de Bacias Hidrográficas do Ribeirão do Onça. O projeto visa a revitalização das águas da Bacia, além da conscientização coletiva de seus habitantes. Um dos coordenadores do CBH Velhas, Rogério Sepúlveda, afirma que “o objetivo desse projeto é trazer à sociedade a discussão sobre a importância de se preservar as características naturais dos cursos d´água em áreas urbanas, fazendo com que a população perceba o valor do equilíbrio ambiental proporcionado pela presença da água”.

A origem do quilombo data do final de 1800, quando Maria Bárbara, mulher negra e trabalhadora, se instalou no local e iniciou sua ocupação. Desde então, seus descendentes vivem na região, somando, hoje, cerca de 200 pessoas. Um dos moradores mais antigos, o aposentado Tomaz, compareceu ao evento e contou um pouco de sua luta para preservar o território. “Há mais de 40 anos estou envolvido nesse processo ambiental. Sonhava que um dia iam nos ouvir, pois sou ambientalista e ambientalistas são sonhadores”. A comunidade é, sobretudo, seguidora da religião de matriz africana Candomblé e possui em seu sistema de crenças as figuras dos orixás.

Essas divindades são intimamente ligadas aos elementos naturais e várias de suas manifestações femininas são conectadas às águas. “Obá, Oxum, Iemanjá, todas as grandes mães estão junto com a água, que, para nós, representa a vida”, conta Luiz Henrique Safé, Pai de Santo da Casa de Candomblé do Quilombo. Para ele, o saneamento, a despoluição do córrego e o tratamento de esgoto são as próximas etapas para a revitalização efetiva dos mananciais da região.


Por: Assessoria de comunicação

Publicado em: 12/04/2017