Banner DescubraBanner Biomonitoramento


Educação

Proposta

O objeto da proposta apresentada é demonstrar um projeto arquitetônico conceitual de uma escola modelo. O projeto incorpora o cotidiano, atitudes voltadas à preservação dos recursos naturais e o fortalecimento de hábitos e comportamentos sustentáveis na escola, na família e na comunidade. Conceitos de sustentabilidade aproveitando recursos disponibilizados naturalmente, como insolação natural , ventilação natural, aspectos característicos da geografia do terreno, possibilitam conforto ambiental e economia, aliadas a tecnologias sociais.

O projeto possibilita repensar a relação do homem com o meio ambiente na escola utilizando a educação como fator importante na construção de sociedades sustentáveis. A proposta de um novo espaço escolar tras maior interação com a comunidade local, tornando a escola uma entidade solidária, transformadora do espaço a sua volta.

É necessário reforçar a escola como espaco para debates, para a tomada de decisões compartilhadas entre gestores, professores e estudantes, que assim terão a possibilidade de realizar a gestão escolar sustentável. Essa prática reflete beneficios na escola e na comunidade de implantação.
Se sua escola ainda não possue políticas de educação ambiental e sustentável , essa é uma boa oportunidade para desenvolvê-la.

Parceria Projeto Manuelzão e escolas

Nos últimos anos consolidamos uma parceria do Projeto Manuelzão UFMG com as escolas, que permitiu avançar na construção de relações pedagógicas importantes no que tange à questão ambiental.

A participação das escolas nos movimentos do Manuelzão, nas Expedições, nos Festivelhas, na construção de projetos nas escolas, tem sido decisiva para avançarmos na consolidação da educação ambiental como um tema transversal e para alcançarmos os resultados obtidos na revitalização do rio com a meta 2010.

Esta relação de parceria nos permite ser propositivos e audaciosos na concepção da escola ecológica. Não basta anunciarmos as mudanças, é preciso praticá-las. O espaço das escolas é um território que precisa se apropriar mais e melhor das novas concepções de sustentabilidade, cujos resultados interferem na construção dos processos de aprendizagem. Nos diagnósticos, feitos nas escolas da bacia do rio das Velhas, percebe-se, na maioria das vezes, que as escolas não apresentam concepção ecológica na sua arquitetura. De modo geral, são totalmente concretadas, sem áreas verdes e de convivência social, com desperdício de consumo de água, energia e gestão inadequada de resíduos.

A partir deste diagnóstico nos propusemos a repensar o espaço da escola dentro de uma visão ecossistêmica, alavancando uma percepção melhor da nossa relação com a natureza. A atual proposta de escola-conceito foi elaborada a partir do pensamento do projeto Manuelzão no sentido da construção de ambientes saudáveis e do aproveitamento dos recursos naturais, especialmente a água, como determinantes na concepção do projeto.
Nossos hábitos e padrões de produção e consumo levaram ao atual quadro de degradação ambiental e comprometimento dos recursos naturais. Os centros urbanos, concebidos de forma desordenada e impactante ao meio ambiente tornaram os espaços insustentáveis.

A escola ecológica é uma realidade possível, onde podemos melhorar nosso ambiente de convivência, nossa forma de nos relacionar com o mundo, tudo isso em um ambiente aconchegante e equilibrado. Para que tenha significância é necessário primeiramente que o gestor saiba reconhecer e interpretar o espaço físico da escola, sua localização geográfica e o ecossistema inserido - bacia hidrográfica a que pertence. A partir deste diagnóstico é possível identificar os desafios e possibilidades ambientais.

Há propostas urgentes, outras que exigem planejamento, organização e recursos para adaptação. O correto destino de resíduos bem como sua coleta, além da adoção de rotinas mais sustentáveis é dever de todos e pode começar apenas com boa vontade. As técnicas e tecnologias apresentadas podem se adaptar às necessidades e à realidade da sua escola e permear as rotinas educacionais.

As ações devem estar articuladas, envolvendo toda a comunidade escolar, permitindo que estes atores assumam uma mudança de comportamento, promovendo transformações efetivas. Mais que um sonho, uma realidade possível, capaz de reverter a crise de convivência entre nossa sociedade e o meio ambiente, possibilitando o surgimento de uma sociedade mais justa e sustentável.


 
Transformação do atual modelo arquitetônico

A transformação do atual modelo arquitetônico para o modelo sustentável requer mudanças estruturais, tornando os espaços mais eficientes, acessíveis, e esteticamente aconchegantes, minimizando os impactos da construção civil.
Nosso projeto conceito propõe um recuo aumentando o espaço da calçada permitindo maior trânsito de alunos, e a colocação de uma guarita para proteção e conforto adequado do profissional que controla o fluxo de entrada e saída das pessoas na escola.
Os muros geralmente não possuem uma identidade com a própria escola, tratados apenas como barreira física, apesar de ser o primeiro elemento de contato visual da escola com o espaço público. Diferenciar o grafite da pichação é fundamental, entendendo-o como uma arte contemporânea e instrumento de aprendizagem.
Um bicicletário é uma iniciativa que visa a atender a demanda de alunos que usam bicicleta como meio de transporte, não apenas alunos, mas todos que a utiliza como principal meio de locomoção. A bicicleta ocupa menos espaço, é ágil, silenciosa, contribui para a promoção da saúde do seu usuário e não afeta o meio ambiente.
Um relógio de sol mede a passagem do tempo pela localização da posição do Sol. Os tipos mais comuns, como os conhecidos "relógios de sol de jardim", são formados por uma superfície plana que serve como mostrador, onde estão marcadas linhas que indicam as horas, e por um pino ou placa, cuja sombra projetada sobre o mostrador funciona como um ponteiro de horas em um relógio comum. À medida que a posição do sol varia, a sombra desloca-se pela superfície do mostrador, evidenciando nossa vocação cósmica de um planeta que gira em torno do sol e consequentemente esta vinculado à leis físicas e climáticas.

Os tetos verdes se caracterizam pela aplicação de vegetação sobre a cobertura de edificações com impermeabilização e drenagem adequadas. Constituem-se uma alternativa de cobertura capaz de proporcionar melhorias nas condições de conforto.
Como vantagens da utilização dos telhados vivos podem ser citadas: redução da temperatura e da radiação UV na cobertura da edificação, diminuindo a demanda de ar condicionado; retenção de águas pluviais não sobrecarregando a rede de esgotos e a transformação do CO2 em O2 pela fotossíntese e filtragem do ar, reduzindo a poluição; melhoria do microclima da região e arredores; e ainda a absorção de ruídos. Pelas vantagens que apresentam, os telhados vivos tornam-se bastante adequados a cidades de clima tropical.

Telhados vivos

Os telhados vivos são compostos por várias camadas, cada qual com uma função específica. São elas:

1) Camada de impermeabilização: para impedir a infiltração de água na laje
2) Camada de proteção: para impedir danos na impermeabilização
3) Camada de drenagem: responsável pela retenção de água e por uma drenagem rápida e eficiente.
4) Camada de filtragem : impede a passagem dos substratos para a camada de drenagem que prejudicaria o sistema e a circulação do ar
5) Camada de substrato: camada onde se encontram os nutrientes dando suporte à vegetação, retendo e absorvendo água. O tipo de substrato bem como a altura do mesmo irá variar conforme a vegetação escolhida e o tipo de telhado. Normalmente a altura do substrato varia entre 4 e 19 cm.
6) Camada de vegetação: consiste na cobertura vegetal propriamente dita e que vai depender do tipo de telhado e do clima local, é recomendável o plantio de plantas nativas da região que necessitem de pouca manutenção.

Coletor solar

O coletor solar é um dispositivo onde se pode verificar a transmissão de calor através dos três processos: condução, convecção e radiação. A energia solar que incide por radiação é absorvida pelas placas coletoras (veja a figura abaixo). Estas transmitem a parcela absorvida desta energia para a água (que circula no interior de suas tubulações), sendo que uma pequena parte é refletida para o ar que envolve a chapa. A eficiência do coletor é dada pela proporção dessas três parcelas de energia (absorvida, transmitida e refletida) em relação à quantidade total de energia incidente. Dessa forma, o coletor será mais eficiente quanto maior for a quantidade de energia transmitida para a água.
O reservatório térmico, ou Boiler, é um recipiente termicamente isolado onde a água aquecida, que será consumida, posteriormente, é armazenada. Este reservatório é mantido sempre cheio, sendo alimentado por uma caixa de água fria.
Existem dispositivos fotovoltáicos que permitem a geração de energia para o consumo da escola.

Espaço de lazer

A área de lazer é um espaço que propicia convivência e recreação para seus usuários. Árvores e vegetação rasteira próxima às janelas das salas propiciam que o ar que circula fique mais úmido e conseqüentemente mais ameno, bancos localizados nas sombras da árvores criam espaços de descanso e interação. Nos pisos das áreas de circulação e recreação, poderão ser usados tijolos ecológicos permeáveis , fabricados com resíduo da mineração, ou maciços nas áreas de maior trânsito. Isto cria áreas de drenagem e recarga das águas, evitando alagamentos.

Horta mandala

Uma horta convencional necessita de grandes extensões de áreas para a produção desejada, já que os canteiros são retos, compridos e sem diversidade. Com a horta mandala (cultivo sinuoso) consegue-se plantar mais mudas. A horta mandala necessita de uma área menor, pois a produção é mais concentrada e diversificada, o que ajuda no controle
natural de pragas , acúmulo de nutrientes no solo e facilita o trabalho de manutenção do sistema .
Outra vantagem da horta mandala em relação aos canteiros convencionais é a economia de água, pois a irrigação circular acaba evitando o desperdício de água que ocorre nos canteiros retos. A horta pode ser fertilizada com o húmus produzido pela compostagem da escola.

Tratamento de águas residuais - Reuso

A água que utilizamos para beber, cozinhar e lavar chega limpa na torneira da pia através da rede pública de água da cidade. Depois de utilizada, recebe restos de alimentos da lavagem de louças, gordura, sabão. Estas águas residuais vindas de pias, tanques ou do banho são chamadas águas cinzas, diferentes das águas negras, provenientes do vaso sanitário e contaminado com coliformes fecais.O filtro biológico é um sistema que trata esta água cinza e a transforma em água capaz de ser usada em hortas ou para limpeza.

O sistema do filtro biológico descrito aqui é composto por 7 fases:

1- FONTE DO REUSO – Água cinza possuindo resíduos do seu uso (pia, chuveiro)
2- CAIXA DE GORDURA – A caixa de gordura retém os óleos provenientes da água cinza
3- FILTRO COM PLANTAS - O cano conduz a água até a parte inferior do filtro , este cano possui perfurações e é revestido de uma manta que impede que os furos fechem . A água passa por camadas de pedras de tamanhos diferentes, o residuo depositado na camada superior serve de adubo para o plantio.
4- FILTRO COM PLANTAS AQUÁTICAS- O material residual do processo anterior sai por um ladrão. Durante a queda o material é oxigenado. Os resíduos presentes na água servem de alimentos para as plantas aquáticas.
5- LAGO COM PEIXES – Da mesma forma o excesso de água do filtro com plantas sai por um ladrão e é oxigenada na queda no tanque com peixes. Os peixes são indicadores da qualidade da água. Nesta fase pode-se também colocar plantas áquaticas .
6- RESERVATÓRIO – Pode-se armazenar a água em um reservatório enterrado ou suspenso caso a queda por gravidade permita.
7- IRRIGAÇÃO DA HORTA – Através de canos perfurados por baixo da terra o sistema pode estar ligado a uma horta ou pomar.

Os espelhos de água formados pelos filtro biológicos umidificam o ar através da evaporação da água. Próximos à edificação criam um microclima em suas imediações.

Tratamento de resíduos orgânicos

A compostagem aeróbica é um processo biológico de reciclagem de matéria orgânica e nutriente, realizada por microrganismos na presença do oxigênio do ar. O resultado do processo é um composto orgânico rico em nutrientes e excelente recondicionador de solos, o húmus. Este processo existe naturalmente na Natureza (os restos dos animais e plantas mortos decompõem-se e transformam-se em húmus).
Elementos como cascas, restos de legumes e frutas, cascas de ovos, borras de café e chá, aparas de relva, folhas, flores, papel e cartão, palha, madeira não tratada, podem ser aproveitadas para fazer compostagem. Podemos utilizar os restos de alimentos da cantina para produzirmos húmus para ser usado na horta e plantas da escola.

Captação de águas de chuva

O sistema de aproveitamento de águas pluviais em telhado consiste na área de captação atraves do próprio telhado, calhas, filtro para descarte, clorador e reservatórios. E importante a presença de dispositivos de desvio de água das primeiras chuvas.


Telhado - intercepta a água de chuva desviando-a para as calhas. A quantidade de chuva que cai do céu é o primeiro fator determinante do potencial de captação. O índice anual de chuva do local onde se deseja instalar o sistema é uma informação fundamental.

Área de Captação - superfície do telhado ou qualquer outra superfície impermeável em que a água será captada para ser armazenada. O material de que é feito o telhado, a porosidade, a inclinação, e mesmo o estado de conservação afetam a eficiência da drenagem do telhado.
Por exemplo, telhados lisos e metálicos são mais impermeáveis do que telhados de sapé, facilitando o escoamento da água para a calha.

Calhas - fazem com que a água distribuída pelo telhado sejam encaminhadas para o reservatório. Para se ter uma boa eficácia em seu uso deve-se dimensioná-las levando em consideração a quantidade de água que virá do telhado e a sua inclinação até o condutor vertical.

Filtro - deve ser colocado antes que a água chegue ao reservatório. Pode ser uma tela ou mesmo filtros industrializados para reter galhos, folhas, e outras impurezas grosseiras .Um filtro de boa qualidade e em bom estado de conservação, normalmente, não deixa seguir com a sujeira mais do que 10% da água, ou seja, cerca de 90% de água "limpa" segue para o reservatório.

Captação e armazenagem de águas de chuva

Separador de Primeiras Águas - as primeiras chuvas levam a maior parte das impurezas que estão depositadas no telhado, . São "arrastadas" impurezas finas que precisam ser separadas e descartadas. Com esse propósito é utilizado o dispositivo de desvio das primeiras águas de chuva. Um tubo é dimensionado para o volume das primeiras águas residuais. À medida que ele enche a bola sobe e quando cheio tampa a passagem permitindo o fluxo da água menos suja em direção ao reservatório.

Clorador - junto ao reservatório recomenda-se instalar uma bomba dosadora de cloro. Uma vez que há contato manual com a água pluvial a função da bomba dosadora é realizar a desinfecção desta água.

Reservatório – proporciona a armazenagem da água coletada. Esta água é destinada ao abastecimento de pontos voltados a atividades não potáveis. Esses pontos são os seguintes: descarga do vaso sanitário, tanque e torneira externa, para irrigação da horta, lavagem de pisos e outros usos não potáveis.
Vantagens da utilização de água de chuva:

-Redução do consumo de água da rede pública e do custo de fornecimento da mesma;
-Evita a utilização de água potável onde esta não é necessária, como por exemplo, na descarga de vasos sanitários, irrigação de jardins, lavagem de pisos, etc;
-Os investimentos de tempo, atenção e dinheiro são mínimos para adotar a captação de água pluvial na grande maioria dos telhados, e o retorno do investimento ocorre a partir de 2 anos e meio;
-Ajuda a conter as enchentes, represando parte da água que teria de ser drenada para galerias e rios;

Sala de aula

A sala de aula é o lugar de maior permanência na escola e é de extrema importância que seja confortável para alunos e professores . O projeto que define a construção da sala de aula influi diretamente no conforto deste espaço. Uma sala bem iluminada aproveita a iluminação natural utilizando pouca energia elétrica durante o dia. Para obter este resultado podemos utilizar aberturas zenitais ( no topo do telhado) e janelas com grandes aberturas para captar a iluminação externa.

É fundamental observar a orientação do percurso do sol para localizar as aberturas de iluminação da sala e também dos demais espaços da escola , evitando colocar janelas voltadas para a direção norte onde o sol incide com maior intensidade. Quando o espaço da sala estiver voltado para a direção norte podemos utilizar alguns recursos para barrar os raios solares diretos. Um deles e autilização de espécies de árvores caducas que tem a copa cheia durante o verão e formam uma barreira protetora contra o sol. No inverno estas mesmas árvores perdem suas folhas propiciando a entrada de luz difusa na sala e aquecendo seu interior. A vegetação rasteira próxima as janelas da sala também propiciam que o ar que circula pela sala fique mais úmido e conseqüentemente mais ameno do que uma área externa pavimentada.
 

Pode-se utilizar venezianas em aberturas onde desejamos que o contato visual com o exterior seja interrompido, sem impedir a circulação do ar. Este recurso é utilizado no lado de contato das salas com os pátios e corredores e minimizam a dispersão da atenção dos alunos além de propiciar boa ventilação. É necessário que as aberturas estejam pouco acima da altura das mesas para que o ar que circula tenha contato com o corpo do aluno provocando uma sensação de frescor.
O ar quente , menos denso que o ar frio , tende a subir e pode ser forçado a sair do ambiente através de um simples sistema de venezianas localizado na parte mais alta do telhado. Para que o ar circule é necessário o uso de ventilação cruzada, ou seja, que tenhamos duas aberturas opostas dentro do ambiente que possibilitem a circulação por todo o espaço.