Em nome da cultura popular

Em nome da cultura popular

Como cantor e compositor, todos já reconhecem a importância de Rubinho do Vale. Na última noite de festa, a passagem de seu show “Farra, Forró e Folia” pelo FestiVelhas Jequitibá encantou a todos os presentes, demonstrando a validade de uma frase de Rubinho: “a arte e a música têm um papel social importante, são um elo de ligação entre as pessoas”. Mas o cantor também tem outro lado, talvez menos conhecido. Rubinho tem um papel importante na valorização da cultura de sua terra, o Vale do Jequitinhonha. Entre outras ações, participou da elaboração do Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha (Festivale), que este ano teve sua 25ª edição. Além disso, nos últimos 17 anos, Rubinho tem gravado discos com canções infantis, que brincam com a tradição das cantigas populares e são utilizados em escolas de todo o Brasil. Foi para falar sobre esse outro aspecto de sua trajetória, e também sobre suas impressões sobre o FestiVelhas, que ele nos recebeu para uma entrevista.

Como a sua trajetória se articula com a valorização da cultura do Vale?
Primeiro de tudo, até o meu nome já me identifica. A minha cidade se chama Rubim e eu sou do Vale do Jequitinhonha. Por volta de 1979, 1980, ao invés de buscar a fama em São Paulo e no Rio de Janeiro, eu fui viajar pelo Vale, fazendo apresentações, conhecendo outros artistas, incentivando as pessoas a formar grupos de cultura, centros culturais. Junto com esse movimento, surgiram diversas pessoas preocupadas com essa questão cultural, como prefeitos, presidentes de centros culturais. E esse florescer de uma nova consciência cultural fez com que surgissem pessoas com uma outra visão política. Isso foi importante para o Vale.

Em que medida a proposta do Festivale se insere nessa discussão sobre a valorização da cultura popular?
O Festivale nasceu justamente desse movimento. Em 1979, o Tadeu Martins [poeta e apresentador do FestiVelhas] organizou, junto com um grupo de pessoas do jornal Geraes, o 1º Encontro de Compositores do Vale do Jequitinhonha, do qual eu participei. Daí nasceu o primeiro Festivale em 1980, voltado mais para a música. Com o tempo, o festival foi incorporando outras coisas, como oficinas de várias áreas, teatro, literatura, as exposições de artesanato. Hoje todo mundo conhece e valoriza o artesanato do Vale. E o Festivale incorporou outras discussões além da cultura, como os debates sobre o rio Jequitinhonha, o problema da monocultura de eucalipto. Eu acho que esse festival é muito importante, e até influenciou outras cidades, outros movimentos. 

Como é o trabalho com as crianças?
Paralelo a esse meu trabalho de falar do Vale nas minhas músicas, eu faço umas cantorias para crianças. Em 1990, eu gravei um disco com canções infantis, e hoje eu já estou no quinto disco. Esse trabalho, que é uma mistura de cultura popular, folclore e brincadeiras, é muito utilizado nas escolas. Escolas de Goiânia, São Paulo, Natal, possivelmente todas as escolas municipais de Belo Horizonte. Foi um trabalho espontâneo, um foi passando pro outro por meio da educação.

Que impressões você teve do FestiVelhas?
Eu acho muito importante, e ele pode crescer muito. A proposta de ele ser itinerante é ótima, muitas cidades da bacia do Rio das Velhas vão querer levar o FestiVelhas pra lá. Aos poucos, certamente vai criar um movimento forte. E a questão ambiental é fundamental, está na primeira página de todos os debates. Eu acho que ele já começou com um trunfo muito forte, que é o debate ambiental numa região que é muito, muito poluída. E essa mesma região também é cheia, cheia de cultura popular.

 
Por: Victor Guimarães, em Jequitibá Publicado em: 18/02/2009
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