Banner DescubraBanner GeoprocessamentoBanner Biomonitoramento


Pesquisa

Para proteger o Velhas ¹

"É impossível recuperar um rio sem reconstituir sua mata ciliar", ensinam as professoras do departamento de Botânica do ICB, Maria Rita Muzzi e Nadja Sá. Em parceria com o Projeto Manuelzão, elas coordenam projeto que pretende recuperar a vegetação das margens e das nascentes do Rio das Velhas, em pontos do curso d'água entre os municípios de Rio Acima e Jaboticatubas, localizados na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Nadja Sá e Maria Rita Muzzi em viveiro no ICB (Foto: Eber Faioli)
Nadja Sá e Maria Rita Muzzi em viveiro no ICB (Foto: Eber Faioli)
A iniciativa faz parte das estratégias adotadas para o alcance da Meta 2010 - navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas, em sua passagem pela Região Metropolitana de Belo Horizonte, estabelecida pelo Projeto Manuelzão em 2003. De acordo com a professora Maria Rita Muzzi, a recuperação de um rio deve começar pelas matas ciliares, porque são essenciais para a manutenção dos cursos d'água, exercendo, por exemplo, a função-tampão. "São as matas ciliares que garantem a vitalidade do leito do rio, pois impedem a erosão provocada por enxurradas e inundações", explica a professora. Além de estabilizar as margens e barrancos, as raízes das plantas facilitam a infiltração da água das chuvas no solo. "Dessa forma, evitam-se o aprofundamento do lençol freático e o desaparecimento das nascentes", informa Maria Rita.

Mapeamento

Em outubro de 2004, equipe do projeto sobrevoou a área e percorreu, de barco, toda a extensão do rio, levantando dados sobre suas condições de preservação. Segundo a professora Nadja Sá, a vegetação próxima ao curso d'água apresenta graus variados de degradação. A principal causa dos desmatamentos é a abertura de pastagens para gado, muitas vezes mal utilizadas. "É espantosa a quantidade de pastos abandonados", surpreende-se Nadja.

Também foi realizado levantamento florístico do local, que possibilitou a seleção das espécies nativas capazes de suportar as inundações e a pobreza de nutrientes do solo. "São 38 tipos de plantas, como o Ingá e a Sangra D'água, muito conhecidas pela população", informa a professora Nadja Sá.

De acordo com Maria Rita Muzzi, as equipes do projeto atuarão nos trechos onde o desmatamento é mais intenso. "Vamos propor e testar soluções de reflorestamento nas áreas mais críticas. Posteriormente, as técnicas desenvolvidas serão transmitidas à população local", explica. Para isso, as professoras contam com a ajuda dos comitês de mobilização social mantidos pelo Projeto Manuelzão nas cidades onde atua. Esses órgãos envolvem representantes das prefeituras, igrejas, escolas e de outras entidades da sociedade civil. Eles promovem reuniões e oferecem cursos para a população sobre questões relacionadas à conservação do meio ambiente e à gestão dos recursos hídricos.

As 60 mil mudas destinadas à recuperação estão sendo produzidas por alunos de graduação e pós-graduação do departamento de Botânica. Elas permanecem em viveiros do ICB durante uma semana. Lá, são inoculadas com os mesmos microorganismos utilizados como adubo pela natureza. "Eles substituem as substâncias químicas, auxiliando no crescimento e fortalecimento das plantas", afirma a professora Nadja.

No Museu

Ao adquirir resistência, as mudas são transportadas para o Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, onde há estufas amplas e adequadas para seu desenvolvimento até o momento do plantio, que começa em novembro. Cada planta será monitorada de perto pelos alunos e pela população engajada na recuperação. "Faremos uma avaliação periódica da taxa de sobrevivência e do crescimento das plantas, para calcularmos os indicadores de recuperação da área", informa Maria Rita, que estima em quatro anos o tempo necessário para a conclusão do projeto.

---

1. Trechos de matéria escrita por Ana Paula Ferreira, publicada no Boletim da UFMG, nº 1504, Ano 32, em 13/10/2005